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Usando o monitor de pé
via Different Thinker by Mario on May 04, 2008
Quando trabalhei na Revista Náutica em 1992, o xodó da redação era um Mac IIci com um monitor monocromático Radius Pivot, cuja tela podia ficar de pé ou deitada. Graças a um sensor interno e ao driver de vídeo dedicado, a orientação da imagem mudava automaticamente ao girar o monitor com a mão. A vantagem do sistema era poder editar páginas inteiras no PageMaker ou Word em uma vista só, sem scroll.
Hoje, depois de esquecido por anos, esse recurso voltou timidamente em um ou outro modelo de monitor. Aparentemente não há grande demanda por ele. Mas o Windows Vista e o Mac OS X Leopard vêm com a capacidade de mudar a orientação da imagem em um simples menu no painel de preferências de vídeo.
O monitor que tenho ligado ao Mac ainda é um CRT tradicional. Experimentei acionar a orientação vertical (90 graus) nas preferências do sistema, deitar o monitor e usar o Mac dessa forma durante duas semanas. Veja o que constatei.
A resolução de imagem foi mantida no valor habitual de 1152 x 864 pixels, apenas com a largura e a altura trocadas entre si.
Nenhum dos programas deu qualquer tipo de pau de interface no Mac OS X.
Note que a proporção aqui é a tradicional de 4:3, não widescreen. Em widescreen, o sentido vertical ficaria comprido demais para ser útil em programas que dependem de paletas arranjadas nas laterais da tela. Outra desvantagem evidente é na hora de tocar ou editar filmes e vídeos. Mas num monitor 4:3 suficientemente largo, isso fica bem menos problemático, já que o pior que pode acontecer é sobrar espaço embaixo.


Muitas páginas Web cabem na largura de 864 pixels. Mas a largura de monitor mais usada atualmente é de 1024 pixels, e cada vez mais sites contam com isso. CNET, Wired, YouTube, Ars Technica esperam que o monitor tenha ao menos 1024 pixels de largura e não foram adequadamente exibidos. Outros, como Amazon, UOL e AppleInsider, ficaram perfeitamente encaixados.
Sites de notícias, blogs, clientes de email e outras aplicações com bastante texto e que normalmente requerem muita rolagem de tela ficaram incrivemente confortáveis no monitor vertical.
O programa de dicionário e os editores de texto também ficaram excelentes, assim como a leitura de uma página isolada de texto em PDF, um chat longo, o seletor de fontes ou a lista de músicas do iTunes com Cover Flow aberto. Nesses programas, não é preciso dar zoom nem rolar continuamente.




Os programas da Adobe em geral ficaram menos práticos, inclusive o InDesign, aplicação diretamente equivalente ao PageMaker que justificava usar um monitor vertical em 1992. A razão é que, apesar de quase todos os documentos impressos ainda serem em páginas orientadas verticalmente, é muito mais usual criar os layouts como páginas duplas.
Felizmente, a suíte Adobe CS3 tem um sistema de paletas que saem da frente do seu trabalho e não atrapalham a visão como acontecia com as versões anteriores. Mesmo assim, quando a barra de paletas está acionada, a área de desenho do Illustrator vira uma tripa. O ideal seria que a área de desenho se aproximasse de um quadrado, que é o que acontece com o monitor na posição convencional.
Os piores programas para usar na vertical foram o Google Earth e o Dreamweaver, devido à sua dependência de barras laterais largas. Na captura abaixo do Google Earth, simplesmente desisti de manter aberta a barra lateral.
A conclusão do experimento é que a orientação vertical é muito conveniente para trabalhar com Web e pode ser adotada o tempo todo, exceto durante a exibição de filmes em formato wide. Mas a resolução total deve ser de, no mínimo, 1024 x 1280 pixels, em vez dos 864 x 1152 que usei no meu teste. Mas, se levar em conta a resolução enorme dos filmes HD e rips de Blu-Ray, o meu próximo monitor terá de ter muito mais pixels ainda. O ideal absoluto seria ter dois monitores simultâneos, um permanentemente de pé e outro permanentemente deitado.
Outro problema, relativo ao CRT em geral, é que os pixels são ligeiramente desfocados no sentido mais comprido da tela; quando o monitor fica de pé, o efeito fica muito mais evidente, porque nosso olho não está acostumado. No LCD tanto faz, pois os pixels apresentam a mesma nitidez nas duas direções.Shared by: